Descrição
Um dos méritos do livro está na atenção às dimensões cultural e simbólica da reparação. Ao lado da reparação material e da reabilitação, entram em cena rituais, memória coletiva, preservação de identidade e reconstrução de laços sociais. O leitor compreende, com nitidez, que a justiça penal internacional lida com feridas que não se fecham por sentença e que não se reparam por números. O texto evita o romantismo e a redução burocrática. Reconhece, com elegância, que a dignidade pode ser ferida em camadas e que sua restauração exige respostas que considerem cultura, território, tradição, trauma e futuro. Ao leitor, cabe agora o melhor momento: o encontro direto com o texto. E esse encontro vale a pena. A leitura flui, provoca, desafia e, por vezes, diverte no sentido mais nobre da palavra: diverte porque abre caminhos, porque desloca certezas, porque faz o pensamento caminhar. O tema é sério, por vezes dramático, mas o livro não oprime. Ele convida. Ele cria curiosidade. Ele oferece mapas, perguntas e possibilidades. Ele estimula o leitor a pensar o Tribunal Penal Internacional para além de slogans, para além de paixões e para além de cinismos. Ele pede uma postura adulta diante do mundo: crítica, exigente e, ao mesmo tempo, comprometida com a construção. Antonio Henrique Graciano Suxberger.






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